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| Raquel Galinha Roque Sócia da CRS Advogados |
Leonor Pinto Associada do Departamento Fiscal da CRS Advogados |
O paradigma do investimento internacional mudou. Hoje, a competitividade de uma jurisdição não se afere por facilidades fiscais desprovidas de controlo, mas pela robustez do seu compliance. O CINM não é um "paraíso fiscal" desregulado. Pelo contrário, funciona de forma plenamente integrada na ordem jurídica nacional e europeia, operando sob o escrutínio rigoroso da Autoridade Tributária e das instâncias comunitárias.
Na Madeira, as regras de Prevenção do Branqueamento de Capitais (PBC/FT), os exigentes deveres de due diligence (KYC) e as normas internacionais da OCDE não são meras recomendações; são obrigações inegociáveis. Falar em ocultamento de riqueza no CINM é ignorar a lei: todas as entidades licenciadas estão sujeitas ao Registo Central do Beneficiário Efetivo (RCBE), garantindo que a propriedade última de cada empresa é totalmente conhecida e transparente. A integração plena nos mecanismos europeus de troca automática de informação fiscal elimina, por completo, qualquer espaço para o anonimato.
Contudo, a verdadeira força do CINM — e o seu maior elemento diferenciador face a outras geografias — reside na sua intransigência quanto à substância económica real. O regime madeirense recusa terminantemente empresas de fachada ou sedes meramente formais ("caixas de correio"). Para beneficiar do seu enquadramento, as empresas têm de criar e manter postos de trabalho efetivos e realizar investimento direto na economia regional. Falamos de atividade produtiva genuína que gera valor acrescentado, retém talento altamente qualificado e dinamiza setores cruciais como a tecnologia, a indústria e a navegação marítima.
Os investidores de excelência, os grandes grupos internacionais e as multinacionais de referência sabem-no bem: a segurança jurídica, a conformidade legal e a reputação corporativa valem mais do que qualquer atalho fiscal.
Ao aliar uma fiscalidade competitiva à mais estrita integridade global, o CINM demonstra que é possível atrair capital estrangeiro sem comprometer o rigor. Longe de ser parte do problema da opacidade, o CINM afirma-se como um ativo estratégico nacional, maduro e indispensável para afirmar a competitividade de Portugal na nova economia global.
Autoria: Raquel Galinha Roque (Sócia da CRS Advogados) e Leonor Pinto (Associada do Departamento Fiscal da CRS Advogados)